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Novos medicamentos podem ser aliados na luta contra o câncer de mama

 Começou no dia 1º de outubro o movimento chamado “Outubro Rosa” como forma de conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama, segundo tipo mais frequente no mundo, respondendo por 22% de casos novos a cada ano. Apesar da relevância do assunto, muita gente acaba não sabendo de novidades no tratamento do câncer de mama, como o medicamento chamado Kadcyla, que pode estender a vida das pacientes e causar menos efeitos colaterais, como queda de cabelo e diarreia. Desde janeiro deste ano o medicamente foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e já está disponível no Brasil.

No Brasil, por conta de a doença acabar só sendo diagnosticada em estágios avançados, as taxas de mortalidade por câncer de mama se mantém elevadas. Na população mundial, a sobrevida média após cinco anos atinge de 61%. Segundo o oncologista Ricardo Teixeira, da Clínica Oncohemato, já existem medicamentos novos para o tratamento do câncer e os mais recentes são os chamados Herceptin, o Perjeta e o Kadcyla. “O uso desses três medicamentos mudou por completo o perfil das pacientes portadoras do carcinoma de mama HER2-positivo”, aponta.

O carcinoma de mama HER2 é uma das formas que o câncer de mama pode se manifestar. De acordo com Teixeira, os quatro tipos principais o são o HER2 positivo, o HER2 negativo, o receptor estrogênico positivo e o receptor estrogênico negativo. “Além desses, existe uma forma que é considerada a mais grave, o chamado carcinoma de mama triplamente negativo, um problema especial que atualmente não possui medicamento. O único tratamento é a quimioterapia”, explica.

Teixeira explica que a recomendação que existe no Brasil é de que a mamografia seja feita a cada dois anos em mulheres de 50 a 69 anos – e a partir daí a periodicidade aumenta. Segundo o oncologista, no restante do mundo, a maioria dos programas de rastreamento recomenda que a mulher faça o exame anualmente a partir dos 40 anos. “No Brasil, acaba sendo diferente por motivos econômicos, as autoridades sanitárias não acreditam ter suporte financeiro para aguentar a demanda”, acredita.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer da mama é o que mais acomete as mulheres ao redor do mundo. O risco estimado pelo instituto é de 52 casos a cada 100 mil mulheres. Sem considerar os tumores da pele que não são melanomas, o câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres de quatro das cinco regiões brasileiras: Sudeste (69/100 mil), Sul (65/100 mil), Centro-Oeste (48/100 mil) e Nordeste (32/100 mil). Na Região Norte, é o segundo tumor mais incidente (19/100 mil), ficando atrás do câncer do colo do útero (23/100 mil).

Durante o Outubro Rosa, a ideia é incentivar mulheres a superarem o medo na luta contra a doença: o medo. Estudos científicos apontam que a maioria das mulheres teme uma sentença de morte ao realizar os exames, quando a mamografia na verdade auxilia o diagnóstico precoce – o que aumentaria as chances de sucesso do tratamento em 95%. Além da faixa etária, outros fatores também estão relacionados ao surgimento do câncer de mama, como hereditariedade, alta densidade da mama e problemas associados ao ciclo reprodutivo da mulher.

O médico sanitarista e epidemiologista Arn Migowski, da divisão de detecção precoce e apoio à organização de rede do Inca, explica que existem fatores relacionados à vida reprodutiva da mulher que podem aumentar o risco de câncer, como distúrbios hormonais. Segundo o especialista, terapias de reposição hormonal também aumentariam os riscos relacionados à doença. “Quanto mais longa a duração da reposição hormonal, maior seria o risco. Mulheres que têm filhos mais tarde e mulheres que não têm filhos tem maior risco de desenvolver câncer de mama. Na verdade, quanto maior o número de filhos, menor será o risco e quanto mais tempo a mulher permanecer amamentando, mais protegida do câncer ela fica.”

Síndrome metabólica e outros fatores

A síndrome metabólica, que é na verdade um conjunto de fatores de riscos metabólicos, já é alvo de diversos estudos que apontam uma relação direta com o câncer de mama. A obesidade abdominal, a hipertensão arterial e a glicose alta são exemplos da síndrome que causa uma resistência insulínica nos indivíduos, que ocorre quando a ação normal da insulina está prejudicada. Nos últimos anos, a relação da síndrome metabólica com o câncer de mama vem sendo muito estudada. “É consagrado que a obesidade, que faz parte da síndrome metabólica, realmente tem uma associação comprovada com maiores riscos de câncer”, explica Migowski.

Em relação a outros fatores de risco, muitas pessoas acreditam que se a mãe ou a avó tiverem câncer de mama, suas filhas e netas terão também. Migowski explica que não é exatamente assim. “O impacto real é de 5% a 10% de casos, com relação clara de hereditariedade. Se for um caso isolado na família só, não é algo tão sugestivo. O que vai chamar atenção é se são vários casos no mesmo ramo da família, materno ou paterno, ou se a mãe da pessoa teve o câncer antes dos 50 anos, o que não é comum. Câncer de ovário, que já não é tão comum, também é um sinal de alerta para a possibilidade de haver hereditariedade”, explica.

Sobre o autoexame para prevenir o câncer de mama, o especialista explica que no final da década de 1990, estudos mostraram para uma ausência de impactos da técnica na mortalidade e o ensino da técnica do autoexame começou a ser desestimulado. Atualmente, o que as mulheres entenderiam como autoexame seria um conhecimento maior do próprio corpo. “O que é preciso é a conscientização, ou seja, que a mulher conheça o aspecto da sua mama e os sinais de alerta para o câncer. Na Inglaterra, a taxa de mulheres que identificam o câncer de mama chega a 70%. Existem sinais de alerta em que a mulher deve saber identificar para posteriormente buscar auxílio médico”, explica.

Migowsi explica que, em geral, o que chama mais atenção são nódulos que perduram e que não têm relação com o ciclo menstrual. Se a mulher perceber um nódulo fixo e endurecido, também pode ser sinal de um tumor maligno. Outros sintomas menos comuns também merecem atenção. “Pode acontecer a descarga papilar, que é secreção saindo do peito. Se for espontâneo, só de um dos lado, transparente ou tiver traços de sangue é mais suscetível ainda de ser câncer. Não quer dizer que seja, mas são sinais de alerta”, enumera.

Outubro Rosa

Em função do Outubro Rosa, a Secretaria de Estado de Saúde elaborou uma série de ações para ressaltar a importância da prevenção e do diagnóstico do câncer de mama. Portanto, para lembrar da importância do combate à doença, o prédios do Rio Imagem, no Centro do Rio, ficará iluminados de cor de rosa ao longo de todo o mês. Além dele, o Hospital Estadual da Mulher, Hospital Estadual da Mãe e Hospital Estadual dos Lagos, respectivamente em São João de Meriti, Mesquita e Saquarema também serão iluminados durante todo o mês.

Não serão apenas hospitais que ficaram iluminados. Também durante todo o mês, a Ponte em Arco do Metrô Rio ganhará iluminação rosa. Nos dias 04, 08 e 09 de outubro, o Maracanã irá se colorir pela campanha e antes das partidas pelo Campeonato Brasileiro de Futebol, mensagens chamando atenção para o tema serão exibidas em uma faixa no campo e nos telões do estádio. No dia 10, o Cristo Redentor, principal monumento da cidade, receberá a iluminação rosa.

Ainda na programação de eventos para marcar o Outubro Rosa, crianças do Coral Orquestra de Cordas da Grota irão se apresentar em todas as quartas-feiras do mês no Rio Imagem. No Rio de Janeiro, a Secretaria de Estado de Saúde ampliou a faixa etária recomendada para a realização de mamografias, incentivando o exame bienal entre 40 e 49 anos e anualmente depois dos 50 anos – 10 anos a menos em relação à idade sugerida pelo Ministério da Saúde. Para mulheres com histórico familiar de câncer, a recomendação é que esse grupo receba acompanhamento médico e faça mamografia anualmente a partir dos 35 anos.

Fonte: Jornal do Brasil 

 














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