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IF registra trimestre de queda nas vendas

A indústria farmacêutica brasileira registrou, entre maio e julho, o primeiro trimestre de desempenho negativo nas vendas, tanto em unidades quanto em receita, desde o início da crise econômica, em 2015. As taxas recentes acenderam a luz amarela para os laboratórios, que temem o efeito nos negócios da combinação de queda no volume comercializado e reajuste menor, especialmente no ano que vem.

Em 2017, indica a indústria, ainda há parte do benefício do reajuste de mais de 12% autorizado pelo governo federal no ano passado e volumes comercializados em ascensão nos primeiros meses do ano. Para o ano que vem, contudo, há preocupação quanto à manutenção da desaceleração nas vendas e ao aumento máximo que será autorizado a partir de abril, tendo em vista a queda nas taxas de inflação.

Segundo levantamento do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), com base em dados da consultoria QuintilesIMS, houve retração de 3,65% nas vendas no varejo, já considerados todos os descontos concedidos, entre maio e julho. Em unidades, a baixa foi de 3,85%.

Embora o mercado continue promissor - o envelhecimento da população brasileira por si só adiciona consumidores a esse mercado -, a manutenção da taxa de desemprego em níveis elevados, com impacto no poder de compra, e a perda de vidas na casa de milhões pelos planos de saúde explicam a redução do fôlego da indústria farmacêutica, avalia o presidente-executivo do Sindusfarma, Nelson Mussolini.

"A indústria começou a sentir a crise", afirma o executivo. Para os laboratórios expostos às compras públicas, porém, esse quadro já era realidade, à medida que o orçamento federal direcionado à saúde também foi contingenciado.

A partir dos números da QuintilesIMS, a diretoria de mercado e assuntos jurídicos do Sindusfarma desenhou um quadro bem diferente daquele que a indústria vinha exibindo até o começo do ano. Em junho, quando as vendas de medicamentos nas farmácias somaram R$ 4,82 bilhões, houve queda de 3,17% ante maio. Em julho, houve nova retração, de 0,48%, para R$ 4,797 bilhões.

As vendas em unidades, cujos resultados não são distorcidos pela diferença nas taxas de reajuste máximo autorizado pelo governo - de 12,5% em 2016 e 4,76% neste ano -, também mostram que o ambiente pode ter mudado. De maio para junho, mostram os números da QuintilesIMS, a queda nas vendas foi de 2,23% e de junho para julho, a baixa ficou em 1,42%.

O segmento de genéricos, que teoricamente ganha força em momentos de crise diante da substituição por alternativas de tratamento mais baratas, também foi afetado. No trimestre de maio a julho, a queda foi de 7,04% em receita e de 4,26% em unidades.

Especificamente em junho, as vendas de genéricos nas farmácias ficaram em R$ 617 milhões, com baixa de 5,14% ante maio. Em julho, houve nova queda, de 1,9% frente a junho, para R$ 605 milhões. Em unidades, a retração foi de 3,21% e 1,08%, respectivamente.

No acumulado dos 12 meses até julho, porém, o desempenho das vendas de remédios ainda é positivo, com 12% de expansão em receita. Mas a contribuição do reajuste de até 12,5% aplicado a partir de abril do ano passado começa a desaparecer, dando espaço para o aumento bem menor autorizado pelo governo neste ano.

Sem o avanço das vendas em volume, que poderiam compensar o aumento de preços mais brando, as taxas podem permanecer em território negativo, pondera Mussolini. Para 2017, acrescenta o presidente-executivo do Sindusfarma, não parece haver risco de desempenho negativo no acumulado do ano, mas os números até julho já acenderam a luz amarela.

No ano que vem, o índice de reajuste de medicamentos, que leva em conta fatores de produtividade, concorrência e inflação, deve vir muito baixo, se não negativo, conforme Mussolini. Nesse cenário, as vendas em volume terão de crescer com ritmo mais acelerado para que a indústria não registre o primeiro ano de retração nas vendas, depois de muitos exercícios de crescimento acima de dois dígitos.

Fonte: Valor Econômico














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