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Cimed reforça sua governança para abrir capital

A farmacêutica brasileira Cimed deu início ao projeto de abrir seu capital. A companhia contratou José Roberto Lettiere, ex-BR Distribuidora, como diretor financeiro. Ele terá a missão de reforçar a governança corporativa da empresa para, em 2021, estar preparada para ir ao mercado de capitais.

“2020 será o ano da segunda virada da companhia. A meta é atingir o faturamento de R$ 2 bilhões. Estando com a casa arrumada podemos dar início ao IPO, se as condições de mercado permitirem”, disse o presidente da Cimed, João Adibe. A expectativa para este ano é uma receita bruta de R$ 1,6 bilhão, alta de 24% em relação ao faturamento apurado no ano passado.

Com esta receita, a farmacêutica entra para o rol das dez maiores empresas em faturamento do país. Em 2018, de acordo com os dados da consultoria IQVIA, considerando as vendas líquidas que incluem os descontos para os pontos de venda, a companhia figurava na 18ª posição no ranking de maiores farmacêuticas que atuam no Brasil.

“Nos últimos anos, a Cimed vem crescendo acima do mercado. A empresa cresce ganhando participação de mercado. E a meta é, somente com o aumento orgânico da empresa, em três anos estar entre a sexta ou sétima posição no ranking das maiores companhias em faturamento”, diz Lettiere.

O diretor financeiro, no entanto, acredita que essa meta pode ser alcançada antes. Isso porque a companhia avalia a entrada em segmentos nos quais ainda não atua, como o de medicamentos de prescrição, que representa 50% das vendas no mercado brasileiro.

Atualmente, a Cimed tem produtos para o segmento de genéricos e medicamentos isentos de prescrição (OTC, na sigla em inglês) e vende 440 milhões de unidades por ano, sendo a terceira maior farmacêutica em volume no país. “Essa profissionalização vem em um momento em que o mercado está se consolidando. E temos que estar preparados para isso”, afirmou Lettiere.

Adibe contou que a Cimed chegou a avaliar a compra da família Buscopan, colocada à venda pela Boehringer Ingelheim, conforme noticiou o Valor. O negócio deve chegar a R$ 1 bilhão, segundo fontes do mercado. O executivo, no entanto, desistiu por ser um valor alto a ser pago somente para a marca. A Boehringer não vai vender a fábrica e nem a fazenda onde se cultiva o princípio ativo do medicamento.

“Ficaríamos ligados à Boehringer porque é ela que irá fornecer a matéria-prima para a produção do medicamento. Não nos interessa nesses moldes”, ressaltou o CEO da Cimed. Adibe acrescentou que a farmacêutica está mais atenta a medicamentos para às especialidades de pediatria e ginecologia. “Comprar uma marca é bem mais fácil do que desenvolver um medicamento no mercado brasileiro. Estamos atentos às oportunidades”, disse.

Para suportar o crescimento estimado, a Cimed deve iniciar a produção de medicamentos sólidos na sua nova fábrica em Pouso Alegre, no interior de Minas Gerais, no fim do próximo ano. A unidade, que vai consumir investimentos totais de R$ 500 milhões, terá capacidade instalada para 400 milhões de caixas por ano. Com isso, a Cimed poderá produzir anualmente 800 milhões de unidades, o dobro da capacidade atual.

A primeira fábrica da farmacêutica, instalada também em Pouso Alegre, trabalha em três turnos de produção com um nível de ociosidade baixo, segundo Adibe. “45% da produção é destinada aos medicamentos sólidos. Com essa nova fábrica poderemos entrar em produtos hospitalares para participarmos de licitações públicas”, afirmou o CEO.

 

Fonte: SnifBrasil














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