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Fipe e Bionexo criam índice de preço para remédio hospitalar

A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), em conjunto com a empresa do setor de saúde Bionexo, lançou um novo índice de preços. O Índice de Preços de Medicamentos para Hospitais (IPM-H) vai avaliar mensalmente a variação dos medicamentos negociados com o setor hospitalar. 

Segundo o coordenador de pesquisas da Fipe, Bruno Oliva, esse indicador foi desenvolvido nos últimos dois anos usando a base de dados da Bionexo, que tem, entre outros serviços, um marketplace onde se hospedam cerca de 20 mil fornecedores e que atende a 2,2 mil hospitais.

“O índice mede o preço do medicamento em si, não mede o custo de produção do medicamento. Analisamos uma série de informações considerando essa base de dados que temos disponíveis desde 2014”, disse Oliva.

A base de dados da Bionexo conta com cerca de 30 mil medicamentos, mas nem todos são incluídos no IPM-H. O presidente da Bionexo, Rafael Barbosa, disse que compõem a cesta desse índice aqueles produtos com mais relevância para os custos de um hospital. “Os medicamentos mais negociados e com volume relevante entram no indicador. Não verificamos aqueles menos negociados”, afirmou Barbosa.

A cesta, no entanto, pode sofrer mudanças baseadas na premissa de relevância, ressaltou Oliva, da Fipe. “Isso é importante para que reflita da melhor maneira possível o comportamento dos preços de um ano para o outro”, afirmou o coordenador.

Dentro dessa perspectiva, as classes de medicamentos que mais influenciaram o índice foram as de cardiovascular, digestiva e sistema nervoso, isso muito em função dos tratamentos contra a covid-19, segundo Oliva.

De acordo com o IPM-H, o preço dos medicamentos vendidos aos hospitais do país subiu 16,44% entre março e julho deste ano. No período, os medicamentos para suporte ao aparelho cardiovascular tiveram alta de 92,6%, os para o sistema nervoso apresentaram aumento de 66,0%, e aqueles para o aparelho digestivo e metabolismo, 50,4%, de março a julho no comparativo com o mesmo período do ano passado.

Oliva ressaltou que dois movimentos explicam essa alta nos preços negociados com os hospitais. O primeiro deles é a variação cambial, que é parte importante dos custos na produção de medicamentos, pois, a maior parte dos insumos é importada. E essa pressão nos custos de fabricação é repassada aos preços.

“Além dessa questão associada ao câmbio, que é cumulativa em todas as classes terapêuticas, o segundo elemento, é o tratamento em si da covid, que promove uma alta rápida na demanda mundial por esses medicamentos e de forma generalizada.”

Segundo Oliva, a pressão no custo de produção, no entanto, deverá ser menor até o fim do ano. “O dólar deve se manter estável, apesar de em um patamar alto. Além disso, essa demanda repentina, forte foi pontual. Já passou e é natural que os fornecedores se adaptem á nova realidade e consigam oferecer mais medicamentos”, disse Oliva, acrescentando que o índice deve ser publicado na primeira quinzena de todo mês.

 

Fonte: Valor Econômico 














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